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........♥·.¸¸.·´´♥ Josi Saldanha ♥·.¸¸.·´´♥¸.•♥´¨`♥•.¸¸.•♥Salvador Dali não ousou imaginar-te...♥•.¸¸.•♥´¨`♥•.¸ December 27 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 1º. Domingo depois do Natal Santos Inocentes – 28/12/2008 Isaías 61.10 a 62.3; Salmo 147; Gálatas 3.23-25, 4.4-7; João 1.1-18
“Porque todos nós temos sido abençoados com as riquezas do seu amor, com bênçãos e mais bênçãos” (João 1.16)
Novamente estamos chegando ao final de mais um ano civil. Muitas lutas, conquistas, risos e choros, marcaram este ano, como todos os outros que já vivemos. O final de um ano civil é uma época carregada de emoções e esperanças. Época em que as pessoas fazem planos, prometem coisas que irão cumprir, outras não, e sentem-se com fôlego renovado para continuar a batalha pela sobrevivência. Isso tudo é bom, quando é planejado dentro da realidade e sem falsas esperanças, pois é apenas uma data. Sempre dizemos e pregamos que as mudanças, em nossas vidas, devem ser constantes e que o “nascer de novo”, conforme Jesus disse a Nicodemos (Jo 3.1-21), deve ser nossa meta diária. Precisamos rever e reavaliar nossos conceitos, valores, preconceitos, posturas, constantemente. Conforme afirmamos “a fé, sem obras, é morta” (Tg 2.17), devemos, dessa forma, por em prática a nossa fé, através de atitudes concretas, saindo do mero discurso teórico. É impossível alguém ser um cristão de fato, sendo uma pessoa mesquinha, egoísta e que só pensa em si mesma, pois o resumo de “toda a lei e os profetas”, como disse Jesus em Mateus 22.34-40, é amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Precisamos nos reavaliar sempre e essa época é bem propícia, assim como a Quaresma, a Páscoa e o Advento também o são. Temos, no texto do Evangelho de hoje, o relato do grande amor de Deus para conosco, ao nos enviar seu Filho Jesus para nos mostrar o caminho no qual devemos seguir. Jesus, conforme as profecias, foi precedido pelo profeta João Batista, que era seu primo e que, com sua intrepidez, abriu passagem para a pregação de Jesus. Como nos diz o texto no verso 11, alguns receberam Jesus, outros não. Então vem a pergunta: o que é “receber Jesus”, “aceitar Jesus”? Será que é “levantar a mão” após um sermão, filiar-se a uma igreja, “andar com a Bíblia debaixo do braço” todo o tempo, usar roupas estranhas, não comer e não beber isso ou aquilo, cortar ou não cortar os cabelos, ou seja, aceitar Jesus é uma mera questão de aparência? Não, não é! Aceitar, receber, Jesus vai muito mais além das coisas externas, muitas vezes completamente inúteis a uma vida cristã autêntica. Diz o texto: “porém alguns creram nele e o receberam e a estes, Ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus...”. Receber Jesus ou “aceitar Jesus” é aceitar, crer e viver aquilo que Ele nos ensinou. É amar a Deus acima de tudo e, aos que estão à nossa volta, gostar deles como gostamos de nós mesmos. Isso vai muito mais além que mera aparência exterior ou discurso teórico vazio. É vivencial. É pôr em prática os ensinamentos de Jesus. Como dizíamos no início, estamos em uma época propícia para fazermos nossa reavaliação pessoal, meditarmos sobre tudo o que nos aconteceu durante o ano civil de 2008 e fazermos um pacto com Deus e conosco mesmos, de sermos pessoas melhores no ano que se iniciará em breve. Deixarmos para trás tudo o que impede nossa real comunhão com Deus e com sua criação: maledicência, inveja, ciúmes, brigas, ódio, divisões, fofocas, orgulho, falta de caridade, preguiça de ir à igreja, usura, enfim, a lista é grande. Entretanto, se olharmos para o grande amor com o qual Deus nos trata, veremos que estamos fazendo pouco diante de tudo o que recebemos Dele. Que realmente, com o coração convertido, nos esforcemos para que sejamos pessoas melhores no próximo ano.
Revda.
Jocinéa Saldanha Perpetuo
December 21 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 4º. Domingo do Advento – 21/12/2008 São Tomé, Apóstolo 2 Samuel 7.4, 8-16; Salmo 132; Romanos 16.25-27; Lucas 1.26-38
“Se Deus quer te abençoar, nunca recuse sua bênção!”
Em um certo dia, no ano de 1992, quando eu trabalhava na Rádio Relógio, aprendi uma lição preciosa, que procuro vivenciar sempre e que vou compartilhar agora com vocês. Eu estava com uma virose muito forte, que havia atacado minhas vias respiratórias e precisava tomar alguns remédios, mas ainda não havia recebido meu pequeno salário e não tinha como comprá-los. Um dos meus chefes, membro da Igreja Pentecostal de Nova Vida, chamou-me e disse que, naquela manhã enquanto ele fazia o trajeto de sua casa até a Rádio, minha imagem não lhe saía da cabeça. Foi quando ele sentiu como se Deus falasse ao seu coração para que ele comprasse os remédios para mim. Eu, muito sem graça, tentei recusar de todo jeito. Então ele me olhou bem profundamente nos olhos e disse: “se Deus quer te abençoar, nunca recuse sua bênção!” No mesmo instante, abaixei minha cabeça e agradeci a ele e a Deus, aceitando com humildade o dinheiro que ele me ofereceu. E, desde aquele dia, sempre me lembro daquelas palavras quando percebo que Deus quer me abençoar através de alguém. Nunca devemos nos esquecer que as mãos e os bolsos de Deus, são as nossas mãos e os nossos bolsos! No Evangelho de hoje temos o anúncio, através do anjo Gabriel, do nascimento de Jesus. Se Maria já estivesse casada com José, essa notícia não lhe traria nenhum espanto. Entretanto, ela ainda era apenas sua noiva e era virgem. Aquela jovenzinha chamada Maria, que segundo alguns estudiosos deveria ter a idade de 14 anos quando concebeu Jesus, a princípio achou muito difícil que acontecesse o que o anjo estava lhe falando, pelo fato de ainda ser virgem. Entretanto, Gabriel nem precisou explicar muito. Apenas disse que Deus estava no controle de tudo e que o Espírito Santo agiria na vida dela. Imediatamente, sem mais perguntas, ela aceitou com muita fé e humildade as palavras do anjo Gabriel e recebeu a maior das bênçãos que nenhuma mulher jamais recebeu: ser mãe de Jesus Cristo, o Salvador. José, magoado ao saber que sua noiva estava grávida, quis ir embora, deixando-a para trás e levando consigo a culpa de tê-la engravidado e fugido. Contudo, durante um sonho, um anjo lhe disse para que não fugisse, pois sua noiva e futura esposa em breve seria a mãe do nosso Salvador. E José aceitou sem duvidar! Tanto Maria, quanto José, aceitaram e receberam a bênção de Deus. Quantas não são as vezes em que, por orgulho ou por vergonha, recusamos as bênçãos que Deus nos quer dar? Duvidamos que Deus se preocupa conosco, duvidamos que para Ele não existe nada que seja impossível. Enfim, duvidamos. Assim como São Tomé, a quem comemoramos no dia de hoje, não acreditamos quando Jesus aparece para nós através de alguém. Sim, Deus se preocupa com cada um e cada uma de nós e está sempre pronto a nos socorrer e a nos abençoar de alguma maneira, especialmente quando O colocamos em primeiro lugar em nossas vidas! Que de hoje em diante, aprendamos a receber com humildade e alegria tudo o que Deus vier a nos oferecer, seja de forma sobrenatural ou através de nossos amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos!
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
November 02 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 25º. Domingo depois de Pentecostes – 02/11/2008 Miquéias 3.5-12; Salmo 43; 1 Tessalonicenses 2.9-13, 17-20; Mateus 23.1-12
“Faça o que eu digo e faça o que eu faço”
Inúmeras vezes já ouvimos um ditado parecido com essa frase que citei, sendo que de outra forma: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Os textos selecionados pelo Lecionário para hoje, nos falam da grande responsabilidade não apenas da liderança cristã, mas também de todos as pessoas que seguem os ensinamentos de Jesus. Sabemos que vivemos sob um sistema que é totalmente sem Deus e contra Deus. Sabemos que somos bombardeados todos os dias por inúmeras situações onde somos colocados à prova e onde temos que dar testemunho real e concreto da nossa fé e religiosidade. O texto do Antigo Testamento nos fala sobre as autoridades religiosas que se aproveitavam da boa fé do povo para tirar proveito pessoal através de falsas revelações, falsa religiosidade e que viviam uma vida completamente diferente daquilo que pregavam. Na Epístola, temos a continuação do texto da semana passada, onde Paulo de Tarso fala de si mesmo como uma pessoa que vive honestamente do seu trabalho e não se utiliza do Evangelho para tirar proveito pessoal, não explora o povo e não diz coisas bonitas para agradar aos seus ouvintes, mas que é comprometido, de corpo e alma, com os ensinamentos de Cristo, podendo ser um exemplo de vida para aqueles que almejam seguir a Jesus. Em outras palavras, ele diz: “façam o que eu digo e façam o que eu faço!” Sua vida e dedicação à causa do Reino de Deus, o permitiam fazer tal afirmação. No texto do Evangelho de hoje temos Jesus utilizando-se de palavras duras, porém necessárias. Chega um ponto na vida da gente em que não podemos ser sempre bonzinhos e de fala mansa. Há situações em que precisamos ser duros e enfáticos. Os fariseus e mestres da Lei, eram pessoas muito zelosas quanto à preservação das tradições e doutrinas judaicas. Também gostavam de aparentar muita santidade, de serem reverenciados como autoridades religiosas e de serem exemplo de vida para o povo. Entretanto, na maioria das vezes, suas vidas eram bem diferentes das suas pregações. Em sua maioria (digo maioria, pois sempre há exceções à regra em se tratando de pessoas), esses fariseus e mestres da Lei, eram pessoas de “dupla face” e é contra esse tipo de comportamento que Jesus fala tão duramente no texto de hoje. É um equívoco enorme da nossa parte quando, ao lermos esse texto, pensar que foi apenas algo do passado, dirigido a pessoas do passado. De fato, os textos bíblicos são históricos, de uma época e cultura bem distantes de nós. Mas a Palavra de Deus é viva e nos fala todos os dias através de textos tão antigos. Basta que prestemos atenção nas Escrituras e no nosso dia a dia. Jesus disse ao povo que aqueles homens realmente ensinavam a Palavra de Deus, mas que as suas vidas eram totalmente opostas ao que eles pregavam. Ensinavam que o povo deveria ser humilde, enquanto eles mesmos eram poços de orgulho e vaidade, por exemplo. Eles sabiam o caminho certo e até o ensinavam, mas viviam de outra forma, dominados por tudo de ruim que eles mesmos condenavam. Jesus nos diz sobre essas pessoas: “façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem. Quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha, será engrandecido”. Em nossa nova vida no Reino de Deus, como filhos e filhas do Criador, não há espaço para essas “vidas duplas”. Ou vivemos o que pregamos ou a nossa pregação é inútil e serve apenas de escândalo para o Evangelho. Os textos do Lecionário de hoje falam diretamente para cada um(a) de nós, não apenas para aquelas pessoas da época ou para os líderes religiosos antigos e atuais. As Escrituras nos falam em particular, para que prestemos atenção em nós mesmos e não na vida alheia. Como temos testemunhado a nova vida do Reino? Vivemos de acordo com o que pregamos? Vivemos de acordo com a mensagem do Evangelho ou só vamos à igreja porque não temos nada melhor pra fazer? Somos realmente comprometidos(as) com o amor a Deus acima de tudo e amamos as demais criaturas como a nós mesmos(as)? Vivemos uma vida transparente ou somos mera fachada, pseudo-cristãos? Se queremos ser respeitados pelas outras pessoas como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos ter em mente que “a fé sem obras, é morta” (Tiago 2.17). É inútil.
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
October 28 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 24º. Domingo depois de Pentecostes – 26/10/2008 Êxodo 22.21-27; Salmo; 1 Tessalonicenses 2.1-8; Mateus 22.34-46
O amor ao próximo é o amor a Deus posto em prática
Na semana passada, meditamos sobre a existência de Deus como um ser único e que não há espaço para outros seres ocuparem esse posto, que pertence exclusivamente ao Criador. As leituras de hoje vêm nos ensinar sobre como devemos amar e adorar esse Deus Único. No texto do Antigo Testamento, temos a orientação sobre como devemos tratar as pessoas desamparadas, no caso do texto de hoje, as viúvas e os órfãos. Também diz para não haver agiotagem quando se emprestar dinheiro a irmãos na fé, bem como não amaldiçoar a Deus e nem as autoridades e devolver o que for pego emprestado, sem demora. São orientações sobre como viver fraternalmente em comunidade, demonstrando, na prática, o amor a Deus. O Salmo de hoje nos ensina como devemos nos posicionar nesse mundo em que vivemos, onde os valores estão corrompidos e que está tão distante de Deus, tamanha é a injustiça, a vaidade e orgulho das pessoas que só pensam em si mesmas. No texto da Epístola, Paulo diz que não se vale palavras bonitas na intenção de bajular as pessoas e deixar de transmitir a verdadeira Palavra de Deus e que tampouco utiliza-se do Evangelho para tirar dinheiro das pessoas inescrupulosamente. Ele prega a Palavra como ela deve ser pregada, não para agradar “A” ou “B”. No texto do Evangelho, encontramos uma situação interessante. Os fariseus “tomaram as dores” dos saduceus, pois Jesus os tinha feito passar vergonha, quando frustrou seus planos de fazê-lo cair em uma cilada, inquirindo-o sobre a questão da ressurreição. Um dos fariseus, que era mestre da Lei, perguntou a Jesus qual era o mandamento mais importante, ao que Ele lhes reponde com o que atualmente chamamos de “resumo da Lei”, que é: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Em seguida Jesus lhes faz uma pergunta a respeito do Messias como sendo descendente de Davi, que eles não conseguem responder e, daquele dia em diante, não mais tiveram coragem de lhe fazer perguntas capciosas. Pois bem, assim como a fé sem obras é morta, conforme lemos em Tiago 2.17, não é possível amar a Deus sem amar ao próximo. Um depende do outro. Nos Dez Mandamentos, os quatro primeiros nos dizem como deve ser nosso relacionamento com Deus e os seis demais, nos mostram como deve ser nosso relacionamento com as outras pessoas (Ex 20.1-17). O verdadeiro amor a Deus é concretizado nas boas ações que fazemos em favor daqueles que nos rodeiam, sejam pessoas, plantas ou animais. O amor não é egoísta, nem orgulhoso, nem raivoso, conforme lemos em 1 Co 13.1-13. O amor, seja em que tipo de relacionamento for, sempre é fraternal e solidário. Engana-se por completo a pessoa que pensa que ama a Deus mas que, entretanto, “não move uma palha” em benefício dos outros! Há aquelas pessoas que, além de não fazerem nada em prol de ninguém que não sejam elas mesmas, ainda têm a audácia de criticar aquelas que fazem. O amar a Deus revela-se no amar ao próximo. Amar a Deus não é mera teoria, nem discurso bonito e intelectual, mas sim fazer algo em favor de quem precisa, mesmo que seja mínimo, pois para quem precisa, qualquer ajuda é de grande valia. Uma palavra de conforto em uma hora difícil, emprestar um “ombro amigo”, acompanhar a pessoa em algum lugar, contribuir para instituições que cuidam de pessoas, animais, florestas, grupos indígenas, sem-terra, sem-teto etc (há instituições e oportunidades para todas as vocações), mesmo que com pouca quantia, já fará grande diferença e, com certeza, glorificará a Deus, o Criador. Toda a Lei se resume em dois mandamentos, que não vivem um sem o outro, conforme as palavras de Jesus. Não adianta viver dizendo que se é “salvo”, que “aceitou Jesus” e viver uma vida fechada dentro de si mesmo, com os ouvidos fechados ao clamor do necessitado, cego, surdo e mudo quando o assunto for solidariedade. Cabe a cada um e a cada uma de nós, se de fato queremos ser cristãos praticantes e verdadeiramente honrar a Deus, colocar nosso amor a Ele em prática a cada dia, em cada oportunidade que nos surgir.
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
October 22 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 23º. Domingo depois de Pentecostes – 19/10/2008 Isaías 45.1-7; Salmo 96; 1 Tessalonicenses 1.1-10; Mateus 22.15-22
“Então Jesus disse: dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21)
No texto do Antigo Testamento, temos o relato de que Deus é único e soberano em tudo. Não há espaço para a existência de “deuses”, mesmo porque, não existe outro Deus senão “Iahweh”, conforme lemos em Isaías 45.6-7: “Faço isso para que, de leste a oeste, o mundo inteiro saiba que além de mim não existe outro deus. Eu, e somente eu, sou o Senhor. Eu sou o Criador da luz e da escuridão e mando bênçãos e maldições; eu, o Senhor faço tudo isso.” Deus não divide sua glória com quem quer que seja. Ele é único e nos fez à sua imagem e semelhança. Qualquer ser ou entidade que queira para si a honra e a glória de ser um deus, mostra que é movido por orgulho, vaidade e que a verdade não está em si. Sabemos que Jesus é o Filho de Deus, que veio ao mundo para nos ensinar o caminho do amor, para que sejamos salvos do orgulho, da vaidade, da injustiça e de tudo o que nos separa do Criador. Os fariseus e herodianos também sabiam disso. Sabiam, mas não praticavam, tampouco davam qualquer importância, conforme lemos no texto do Evangelho de hoje. Eles tramaram uma armadilha para fazer com que Jesus caísse em contradição. Tentaram inflar o ego de Jesus, tentaram pegá-lo através do orgulho e da vaidade, mas receberam, com sempre, uma palavra profética que fez com eles ficassem envergonhados. Jesus pede uma moeda e nela estava esculpida a figura do Imperador. Tanto os fariseus e herodianos, quanto nós, sabemos que fomos criados conforme a imagem de Deus e que, portanto, parecemos com Ele: temos sentimentos, inteligência, poder de decisão, dentre outras coisas. Ao responder aos seus inquiridores com a famosa frase “dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, Jesus nos ensina e nos lembra que o Imperador, retratado naquele desenho esculpido na moeda, era um governante desse mundo e deveria receber das pessoas, coisas desse mundo, como o dinheiro, por exemplo, mas Deus, nosso criador, que nos fez conforme a sua imagem, sendo um ser espiritual, deve receber de nós adoração em espírito e em verdade (Jo 4.23). Deus requer de nós devoção e adoração, como sendo o único Deus e Senhor das nossas vidas. Quem O reconhece como seu Senhor, não dá espaço para os pseudo-deuses, como o dinheiro, o orgulho, a vaidade ou qualquer outro ser ou entidade que tentem pegar para si a glória que só a Deus pertence. Hoje Deus nos convida para que nos entreguemos totalmente a Ele. Que deixemos para trás, especialmente, o orgulho e a vaidade, que tanto mal nos fazem e aos nossos semelhantes. Deus nos convida para que tenhamos uma nova vida, libertos de tudo o que nos aprisiona aos vícios, aos maus desejos, à falta de domínio próprio, à falta de amor. Muito mais do que dar ofertas na igreja aos domingos, devemos entregar nossas vidas inteiramente a Deus e ao seu serviço, todos os dias. Lembremos sempre da famosa frase de Jesus: “dêem a César o que é de César e a Deus o que é Deus”.
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
October 14 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 22º. domingo depois de Pentecostes – 12/10/2008 Isaías 25.1-9; Salmo 23; Filipenses 4.4-13; Mateus 22.1-14
“E Jesus terminou, dizendo: Pois muitos são convidados, mas poucos são escolhidos.” (Mt 22.14)
O abadá* do Reino de Deus
Atualmente, está na moda, especialmente na Bahia, a realização de festas na rua, com cordão de isolamento, onde só entram as pessoas que compram a camiseta do evento, chamada de “abadá”* (e que custa muito caro, por sinal). O abadá dá direito a quem compra de ficar bem perto dos artistas que estão se apresentando. A parábola relatada por Jesus, no Evangelho de hoje, traz consigo algumas curiosidades que tornam seu entendimento um tanto quanto difícil, à primeira vista. De acordo com o Revdo. Calvani, no Livro “Pão da Vida – Ano C”, diversos estudiosos concordam que essa parábola é a junção de duas outras parábolas, de mesmo teor: os versos 1 a 10 são de uma parábola, enquanto os versos 11 a 14 são a conclusão de uma outra parábola cujo início foi perdido. Sabemos que a grande maioria dos textos bíblicos foram preservados pela tradição oral e escritos muito posteriormente. Devido a isso, encontramos aparentes “contradições” em alguns textos, que são facilmente explicados pelos estudiosos e de forma alguma perdem seu teor histórico e ou doutrinário. E é isso o que mais nos interessa: o que esse texto tem a nos dizer, hoje, no século vinte e um. Vamos à parábola: um homem, ou um rei, prepara uma grande festa que, em Mateus é relatada como sendo uma festa de casamento (evento de grande importância para a cultura daquela época). Os primeiros convidados recusaram-se a ir e o rei ordenou que seus empregados saíssem às ruas e chamassem todas as pessoas que encontrassem: boas ou más. Um detalhe interessante e ao mesmo tempo um “nó exegético” é o fato: como pessoas pobres, moradoras de rua, poderiam conseguir roupas de festa para entrar nesse banquete? Uma das hipóteses dá conta de que era costume da época haver um mordomo à porta, com várias capas de festa, que eram emprestadas aos convidados que não as tivessem. Pois bem, não se sabe como, uma dessas pessoas que foram levadas da rua, conseguiu adentrar no recinto festivo sem a roupa apropriada e, nem ao menos pegou sua capa com o mordomo que ficava à porta. Essa pessoa foi expulsa da festa, não pelo motivo de ser pobre e não ter roupas, mas porque fez pouco caso do grande evento do qual participava. Podemos extrair de lição dessa parábola que, o Reino de Deus não é uma mera utopia ou uma fantasia, mas sim uma realidade já presente em nosso meio, embora ainda de forma incipiente. Deus é o Rei e autor dos acontecimentos; Aquele que prepara o Reino e nos convida a participar. Nesse Reino não há espaço para discriminação de nenhuma ordem: social, sexual, cultural. O Reino é para todas as pessoas que queiram fazer parte e estejam dispostas e “vestir a roupa da festa”. Sendo esse Reino para todas as pessoas que queiram fazer parte dele, não cabe a ninguém fechar as portas do mesmo a quem quer que seja, pois o próprio Deus é quem o administra. E Deus não rejeita nem exclui ninguém. As pessoas é que se auto-excluem, rejeitando o convite de Deus e negando-se a vestir as “roupas da festa”. E essa roupa de festa é a nova vida em Cristo: “As coisas velhas já se passaram e tudo se fez novo” (2 Co 5.17). É a vestimenta daqueles(as) que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7.14). Na comunhão do Reino de Deus não há espaço para as pessoas que querem continuar com a “roupa velha” do orgulho, do ódio, dos interesses próprios, totalmente voltados para si mesmos, recusando-se a usar a “nova roupa” do Reino: o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39). Deus hoje nos convida para participar do seu Reino e nos dá, gratuitamente, “o abadá* do Reino” através de Jesus, seu Filho, para que possamos entrar na sua festa. A decisão de vestir essa nova roupa é de cada um e cada uma de nós. Aceite o convite de Deus e faça parte da festa do seu Reino!
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
*Abadá é uma palavra de origem africana, do yorubá, trazida pelos negros malês para a Bahia. É um tipo de bata ou camisolão branco usado pelos muçulmanos que aqui aportaram como escravos. Assim também é chamada, até hoje, a indumentária dos capoeiristas. É provável que essa bata que servia as orações também vestisse os jogadores da capoeira durante suas rodas. Existe a lenda de que capoeiristas usavam branco como forma de demonstrar suas habilidades: os melhores mestres da capoeira mantinham seus abadás impecáveis depois da luta. No Carnaval de 1993, o designer Pedrinho Da Rocha e o Bloco Carnavalesco Eva lançaram um novo tipo de fantasia para substituir as antigas mortalhas. Em homenagem ao Mestre Sena, antigo capoeirista e amigo, o designer batizou a nova fantasia de "abadá" que logo virou sucesso em todo o Brasil e terminou por popularizar essa palavra. Alguns dicionários, como o Caldas Aulete, citam apenas a versão carnavalesca; a enciclopédia Larousse, no entanto, é mais completa, cita os dois usos da palavra e sua etimologia.
October 05 HomiliaIgreja Episcopal Anglicana do Brasil Diocese Anglicana do Rio de Janeiro 21º. Domingo depois de Pentecostes – 05/10/2008 Gênesis 1.20-29; Salmo 104; Romanos 8.18-23; Mateus 21.33-43 Ação de Graças pela Criação
“Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Rm 8.21)
No texto de Gênesis, temos o relato poético de como o mundo foi formado pelo poder de Deus. Como eu disse, é um relato poético, pois sabemos, atualmente, que o Universo surgiu de uma grande explosão, o “Big Bang”, e que a Terra, até chegar ao seu estado atual, passou por várias eras geológicas, onde cada ser, cada criatura, foi surgindo e evoluindo através dos milênios até surgir o ser humano, fato que ainda não foi totalmente desvendado pela Ciência. Acreditemos nós no relato científico ou no poético, o fato é que o mundo foi criado totalmente organizado, onde cada ser animado ou inanimado tem a sua função. Existem as chamadas “leis da física” que regem todo o Universo. De acordo com o relato da criação, narrado no Livro de Gênesis, o ser humano foi formado à imagem e semelhança de Deus. Como diz o ditado: “é Deus no céu e os humanos na terra”. Deus, que é o Dono do Universo e criou a Terra para ser nosso lar, deu-nos uma ordem: que cuidássemos da sua criação. Ele é o Dono da casa e nós, seus mordomos. Por milênios, parece que tudo correu bem: o ser humano vivia em perfeita harmonia com a criação, até que a humanidade foi evoluindo (?) e aprendeu a corromper o sentido das palavras para o seu bel prazer. Aquela harmonia inicial entre seres humanos e natureza tornou-se cada vez mais distante da realidade, quanto mais fomos descobrindo tecnologias usadas por nós para a opressão, para a injustiça etc, quando deveria ser exatamente o contrário. Depois que descobrimos que somos iguais a Deus, apenas “um pouquinho menores”, sentimo-nos os próprios “donos do mundo” e levamos ao pé da letra, de forma negativa, as palavras do Criador: “e tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão” (Gn 1.28). Esse tenebroso sentimento de onipotência nos tem levado à destruição da natureza de uma forma tão cruel, que as futuras gerações já estão com a sua sobrevivência ameaçada. Nos tornamos tão inconseqüentes que chegamos a ponto de ignorar que nossos descendentes serão herdeiros do caos. Já destruímos inúmeras espécies de animais e plantas, quebrando de forma violenta e inescrupulosa o ecossistema. A continuar dessa forma, chegaremos ao dia em que a Natureza não mais terá forças para se recompor. Isso agrada a Deus? De forma alguma! Em que você e eu somos responsáveis por isso? Em tudo! Quem se cala, dá razão ao que está errado. Já diz o ditado: “quem cala...” E, se consentimos, somos tão culpados quanto quem destrói! Se vemos algo errado e “não movemos uma palha para consertar”, somos tão culpados quanto quem cometeu o erro. Se “passamos a mão na cabeça” de quem erra, erramos junto. Se deixamos uma criança maltratar uma planta, arrancar uma flor, maltratar e bater em um animal, entristecemos quem criou esses seres. Isso é pecado. Pecado é tudo o que nos afasta de Deus. De acordo com o texto da Epístola, o Universo está “gemendo como uma mulher em trabalho de parto” por causa da nossa maldade e espera, com ansiedade, o dia em que Deus irá restaurar sua criação que NÓS DESTRUÍMOS! Vejamos: Deus criou o Universo e nos colocou como seus mordomos para cuidar dele. E o que fizemos? Destruímos tudo, a ponto de Deus ter que, futuramente, restaurar toda a sua obra. Deveríamos nos envergonhar disso, deveríamos fazer jejuns e orações pedindo perdão a Deus por tão grande pecado, como os moradores de Nínive, segundo o relato do Livro de Jonas. Até o Filho de Deus, enviado para nos ensinar o caminho certo, foi morto pela nossa maldade. No relato do texto do Evangelho, vemos o confronto entre Jesus e aqueles que julgavam-se como Deus, sem pecado. Jesus conta uma estorinha sobre sua vinda ao mundo para nos ensinar a amar a Deus e ao próximo, que tem também muito a ver com o que estamos meditando nesse momento: um agricultor fez uma plantação de uvas e contratou algumas pessoas para cuidar dela. Essas pessoas sentiram-se donas da plantação e não queriam prestar contas de nada. Tornaram-se assassinas, ladras, sem amor, orgulhosas... Trata-se, não apenas daquelas pessoas que rejeitam a mensagem do Evangelho em termos espirituais, como também de todos e todas nós quando não cuidamos, como deveríamos, da Criação de Deus. Já pensou nisso? Pense! Os profetas estão sempre conosco, tentando nos alertar quanto ao perigo da ambição, do orgulho, de tudo o que nos afasta de Deus. Os cientistas são profetas enviados por Deus quando nos alertam sobre o perigo do aquecimento global, da destruição das florestas, da degradação do meio-ambiente. Há pessoas também de dentro e de fora da igreja que são chamadas por Deus para nos mostrar que devemos amar e respeitar a criação. Hoje lembramos Francisco de Assis e tantos e outros, mulheres e homens, que dedicaram e dedicam suas vidas ao cuidado das plantas e dos animais, dos pobres e dos desamparados, dos órfãos e das viúvas e viúvos idosos, desamparados pela sociedade perversa. Que nossa oração seja de agradecimento ao Criador pela vida dessas mulheres e homens, santos e santas de Deus e seja também um pedido sincero para que possamos mudar de atitude, pedir perdão a Deus, à natureza e aos animais pela nossa crueldade e fazermos um voto de que, de hoje em diante, mudaremos de vida, com a graça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Revda. Jocinéa Saldanha Perpetuo
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Dec. 21
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July 16
Mateo 2
Mateo 3
Apr. 21
Fatima Albuquerquewrote:
Eu estou feliz por fazer parte desse grupo de amigos.
Jan. 19
Daniel Rangelwrote:
Fala Revda.
Como andas? Gostaria de pergunta para vc algumas coisas? Mas gostaria de falar pelo telefone se fosse possivel. Abraços, Daniel
Dec. 19
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